Psicanálise Contemporânea

Para Andre Green, a Clínica Contemporânea marca a transição da ” patologia do conflito” (típica das neuroses clássicas) para a “patologia do vazio”.

Enquanto o neurótico sofre por desejar o proibido, o paciente contemporâneo de Green sofre por não conseguir sentir, representar ou dar sentido à própria existência.

Existem “buracos” em sua trama psíquica e ele dispõe de poucos recursos simbólicos para enfrentar a vida, o que o leva a uma profunda sensação de desamparo.

Hoje recebemos frequentemente na clínica pacientes entediados, deprimidos, que apresentam somatizações, adicções, passagens ao ato e comportamentos de risco, entre outros.

A força que remete ao trauma

Na análise o paciente tende a repetir o que lhe causou sofrimento, buscando a compreensão e o encadeamento lógico de partes inconscientes de sua história.

Freud chamou esse processo de Compulsão à Repetição, que, uma vez evidenciado e elaborado, será a mola propulsora do processo de simbolização e consequente mudança de posição subjetiva do sujeito.

Envelhescência

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O processo de envelhecimento é complexo e apresenta aspectos físicos, sociais e psíquicos. O homem, desde que nasce, começa a envelhecer. Porém, os efeitos do envelhecimento passam a ser sentidos, de fato, a partir dos 60, 65 anos.

São mudanças fisiológicas que ocorrem, com a diminuição progressiva da eficiência das funções vitais, dos músculos, os cabelos brancos. São duros golpes no narcisismo, com perdas sucessivas que equivalem a lutos que precisam ser elaborados. O corpo e sua representação devem ser redesenhados.

Existem também mudanças sociais: a aposentadoria traz uma situação econômica difícil se não houver uma outra fonte de renda; a desqualificação feita pela nossa sociedade, que supervaloriza a juventude e o novo. As coisas são consumidas e rapidamente se tornam obsoletas. Diferente da mentalidade européia, onde o velho é muito respeitado e considerado. Portanto, os preconceitos e a impotência são muito mais sociais e psicológicos, do que do próprio indivíduo.

Envelhecer não é absolutamente o que se acredita e o que se diz por aí. Tudo depende de como cada um vai vivenciar as transformações desta fase. Como a Sra.X viveu a sua menopausa? Como o Sr.Y encarou sua aposentadoria? Que outras possibilidades de vida foram encontradas? Há que se reinventar a si mesmo. Há que se apossar, outra vez e para sempre, daquilo que se é. Daquilo que foi adquirido ao longo da vida e que não se perde jamais.

Concordo, difícil é fazer isso numa sociedade que valoriza o ter e não o ser, a necessidade de estar inserido no processo produtivo. Mas tantas coisas podem ser feitas, “ao invés de”. Muitos indivíduos se mantêm ligados ao trabalho ou passam a pintar, escrever, esculpir, a praticar esportes. É este um tempo de reavaliação e de se fazer o que se gosta. É a recriação do Eu diante das novas exigências pulsionais, das novas exigências do corpo. Porisso, há que ter flexibilidade.

Envelhecemos como vivemos, ou seja, se tivemos uma vida plena, feliz, se cuidamos carinhosamente do corpo, fica mais fácil envelhecer com serenidade e qualidade de vida. A velhice, sob um certo ponto de vista, então nada teria a ver com a idade cronológica, mas com um estado de espírito. De fato, existem “velhos” de 20 anos, e “jovens” de 90. No entanto, alguns envelhecem muito amargos. Parecem cobrar da vida e dos seus, algo que não lhes foi dado ou tirado. São “velhos” que estão “de mal” com o mundo, criticam a juventude, não aceitam o novo. Mostram-se incapazes de se solidarizar com o outro, e acabam condenados à solidão, à depressão.

Os mais velhos, como todos, precisam ser ouvidos. Querem um olhar, um carinho, um suporte que os ajude a viver. Muitos estão condenados ao desamparo. Não têm família. Mas precisam de amigos. O calor humano é fundamental, as relações com seus semelhantes é o que os sustenta. Muitos morrem de solidão. No entanto, há um pudor em demonstrar a necessidade. “Eu não quero atrapalhar”, dizem , não querendo piedade. Mas a deterioração ou falta de relações humanas os lança na depressão, na regressão, na lentificação das funções vegetativas, nas doenças degenerativas, nos estados confusionais ou de demência, o que pode significar retirar-se do mundo, desligar-se da vida.

O que mantém o homem vivo é o Amor, espaço onde é permitido sonhar, planejar. E para amar não existe idade. O ser humano vive a busca infinita do complemento (ilusório, porém necessário) de si no outro. Para o espírito não há limite.

A sexualidade está presente na terceira idade, e não sendo reprimida ou cobrada com ansiedade de performance, pode ser vivida plenamente até o fim da vida. Não começa na puberdade e termina na meia-idade: simplesmente existe sempre. A sensualidade, o erotismo, as chances de prazer continuam existindo, e, com a maturidade, o caminho é propício ao amor e ao sexo. Na intimidade partilhada pelos casais mais velhos, existe amplo espaço para a ternura. Cúmplices de uma vida, muitas vezes, pais de filhos, avós de netos, até bisavós.

O tempo pode ser um grande afrodisíaco. Como bem diz o belíssimo poema de Márcia Woodruff, extraído do livro “Quando envelhecer vou usar púrpura”: “Encontramo-nos com timidez de virgens/ sem inocência ou beleza/ a cobrir a nudez, apenas/ estes corpos que nos serviram bem/ a oferecer/. Aos vinte, teríamos nos vestido/ de fantasias, lançando/ véus sobre a nossa carne tenra,/ ou nos faríamos espelhos mútuos/ onde pudéssemos nos amar melhor./ Mas nada nos engana mais, agora./ Nossos olhos são mais sábios e mais tristes/ quando apalpo em seu ombro a cicatriz/ onde o alfinete entrou, e você/ toca os sinais de prata em meu ventre/ frouxo de parir./ Somos reais, você diz, e somos,/ aqui de pé nesta carne simples,/ que registrou nossas complexas vidas,/ os corpos transformando-se em dádivas/ ao toque de nossas mãos.”

Quer ser um exemplo para seu filho? Comece cuidando de si mesma!

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Entrevista de Carmen Cerqueira Cesar 
por Daniela Folloni Jornalista fundadora e diretora de conteúdo do Portal It Mãe
” Se livrar de um ideal materno impossível e ser apenas uma mãe suficientemente boa é o primeiro passo. Os filhos também serão mais felizes se você estiver feliz, plena e equilibrada, porque você está de bem com a vida e vai passar isso para eles.”

https://itmae.uol.com.br/lifestyle/quer-ser-exemplo-para-seu-filho-comece-cuidando-de-si-mesma

 

Malu Mulher, 40 anos depois

Por Heloísa Noronha, Universa UOL

Assídua telespectadora de “Malu Mulher”, a psicoterapeuta e terapeuta de casais Carmen Cerqueira Cesar, de São Paulo (SP), reforça que a sociedade ainda era muito conservadora e que todos precisaram passar por um processo de reinvenção. “Havia ainda muitos preconceitos em relação à mulher, pois, embora já contássemos com avanços nas questões de gênero, ainda vivíamos numa sociedade machista e patriarcal. Tanto a mulher teve que se exercitar nesses novos papéis, como o de divorciada e trabalhadora, e aprender a lidar com a sua liberdade recém-conquistada, como os homens se viram diante de desafios e também tiveram que se reinventar. Para eles, o mundo virou de pernas para o ar. Foi difícil, mas acabou sendo bom para todos”, conclui…. ”

https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/24/malu-mulher-40-anos-depois-temas-abordados-na-serie-continuam-necessarios.htm

 

 

Depressão

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Pesquisas recentes detectam uma verdadeira epidemia de depressão nos séculos XX e XXI. Depressão é diferente de tristeza, pesar, luto. Estes fazem parte da vida e a gente tem que lidar com eles. Depressão não – é doença e pode ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer idade. Mas felizmente pode ser tratada, curada ou controlada.

Caracteriza-se pelo sentimento de vazio, perda, falta. Falta de sentido. “A minha vida não tem sentido”, argumenta o depressivo. Há um sentimento de desamparo, solidão existencial. Muitas vezes o desencanto é absoluto. Dor de alma, morte em vida. E a sensação de que nunca vai passar.

O depressivo sente tristeza, desânimo e fadiga. Falta-lhe energia. Não sente prazer ou interesse em qualquer atividade. A auto-confiança diminui e um pessimismo acentuado o leva a ver só o lado negativo das coisas. Falta-lhe esperança no futuro.

Apresenta inibição afetiva (espécie de “anestesia psíquica” – uma diminuição do interesse pelos relacionamentos sociais, afetivos e pela sexualidade); inibição motora (retardo e lentidão dos movimentos – não tem vontade de fazer nada, às vezes até de levantar da cama, de tomar banho) e inibição intelectual (dificuldade de raciocínio, perda da memória, diminuição da capacidade de concentração).

Comumente a pessoa apresenta dores: de cabeça, nas articulações, musculares, assim como alterações do sono e apetite (aumento ou diminuição); chora facilmente. É comum o aumento da irritabilidade e do mau humor, tornando-se difícil a convivência com o depressivo.

A avaliação que faz de si mesmo é rigorosa e cruel. Sente remorso e culpa, sofre de ruminações, se auto-recrimina. Sua auto-estima é muito baixa. No fundo acha-se um fraco. Isto acontece porque comumente o depressivo é visto como alguém que não tem força de vontade, um preguiçoso, que não “quer” reagir.

Mas depressão é coisa séria e precisa ser tratada. Atrapalha de fato a vida do sujeito (em todos os sentidos, não tem vontade de trabalhar, de amar, de se relacionar). E não se trata de fraqueza nem de falta de fé.

As causas da depressão podem ser múltiplas e podem aparecer combinadas ou não: fatores genéticos (hereditariedade); fatores psicológicos (ambientais; educacionais); fatores neuropsíquicos (química cerebral); fatores hormonais (ex. menopausa); e finalmente os fatores sócio-econômicos e culturais que merecem um destaque especial.

As aceleradas mudanças dos últimos 50 anos geraram insegurança e um profundo sentimento de desamparo. A crise sócio-econômica trouxe o desemprego, o empobrecimento, a miséria crescente, a violência urbana. O indivíduo está privado de sua liberdade. Solidão, uso abusivo de drogas, profundas modificações nas estruturas familiares, a fragilização das figuras paternas, da autoridade e da Lei e o esfacelamento das ideologias deram origem ao que os psicólogos chamam de “mal estar na cultura”.

Por isso, o momento histórico em que vivemos é fortemente propício à depressão. Vivemos submetidos aos imperativos de um ideal exigente. Há que se ter excelente performance em todas as áreas da vida. A exigência do sucesso a qualquer preço gera stress e um profundo sentimento de insuficiência porque sempre se estará aquém do esperado.

É assim que o sujeito se aliena, perde seus referenciais, se desvincula de seus afetos. Sua existência perde os sentidos possíveis.

Siderado, guiado pelos “modelos” idealizados de perfeição e completude fabricados pela cultura globalizada contemporânea, enreda-se numa história que não é a sua.

Essa “pasteurização” de sujeitos e culturas leva ao apagamento das diferenças e gera violência (guerras) ou depressão (repressão da agressividade, sensação de não existência).

Em muitos casos um processo depressivo é deflagrado pela dificuldade de elaborar um luto pela perda de uma pessoa querida, a perda de um amor, um baque financeiro, uma decepção no trabalho, o empobrecimento – mas são sempre situações que se engancham em dores precoces. Ou seja, ali já havia uma predisposição do indivíduo para desenvolver depressão.

Atualmente o tratamento da depressão é feito pela combinação de medicamentos antidepressivos + psicoterapia. O medicamento trata a causa orgânica. A psicoterapia busca as causas emocionais que levaram à depressão, buscando-se os sentidos que faltam, possibilitando ao sujeito reescrever sua própria história.

Para que o ser humano seja um móbile equilibrado ele também tem que levar em conta as várias dimensões da vida. Espiritualidade e fé também podem ajudar muito no tratamento.

O referencial simbólico paterno é da mais alta importância na estruturação dos sujeitos (especialmente nos dias de hoje): através de um amor que possibilita vivências, mas que também coloca limites, abre-se um campo de possibilidades de vida.

Sustentando uma Lei necessária (porque estrutura) faz operar algo da “função paterna” que permite que o indivíduo transite com o seu desejo pela vida: que ame, seja amado, relacione-se, trabalhe, case, tenha filhos, crie, fale, escreva …

Quem tem depressão deve procurar ajuda.

Como se dar um tempo

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A demanda da cultura contemporânea globalizada é a da completude, da realização, da excelente performance. Nos ideais que circulam via esse discurso, nada pode faltar. Valores idealizados, incutidos em nós nos dizem o tempo todo que temos que ser boas em tudo: mães, esposas, companheiras, amantes, profissionais, ter o corpo perfeito… ufa!

Isso é quase uma obrigação. E o tempo todo objetos e serviços são oferecidos, prometendo consertar o imperfeito, curar a dor, completar a falta. Confunde-se objeto de desejo com objeto de consumo.

Fica parecendo que tudo é possível, e que se falharmos em alguma área, o problema está em nós. E nos sentimos imensamente culpadas, pela imensa cobrança de ideais impossíveis. Só que a vida real é diferente, é imperfeita, e vamos combinar, é bonita e fascinante justamente porque é assim. Não é super, nem feita de silicone.

A mulher, com sua tendência natural a fazer várias coisas ao mesmo tempo, acaba se exigindo cada vez mais! Precisa desesperadamente dar conta de tudo, cada vez mais e melhor, para conquistar, para se realizar, para não perder o emprego, paro não perder o marido… e… onde ela acha que ganha, pode estar perdendo.

Num videoclipe supersônico, nossa sarada Speedy, workholic, a Garota 100% – desaparece enquanto sujeito de seu desejo, perdida numa velocidade frenética, num discurso sem pontuação. Não pode parar, não respira. Sua fala não tem travessão, ponto, vírgula, na outro linha. Ofegante, acaba produzindo um discurso verborrágico, louco, sem pontos de ancoragem, que possam dar sentido à vida.

A neurose obsessiva compulsiva é a neurose do momento par excelência. Hoje tudo é obsessão e compulsividade: drogas, álcool, comer muito, não comer, consumismo exagerado, excesso de trabalho. Muitas pessoas têm dificuldade em estabelecer limites, transbordam, não conseguem parar. Mas esta neurose é extremamente benéfica para o sistema porque gera alta performance e produtividade.

Estas também são razões para termos hoje tantos casos de estresse, gerando quadros depressivos, ansiosos, fóbicos. Nunca se ouviu falar tanto em depressão, síndrome do pânico, distúrbios de alimentação, como obesidade, anorexia, bulimia, entre outros.

No loucura de TER ou PARECER TER as pessoas se esquecem de SER. Elas mesmas, como podem. Cada uma, na sua singularidade. Um campo de potencialidades e limitações. Como é próprio da vida.

A questão se agrava no caso de mulheres que ainda tem a famosa “dupla jornada”. Na verdade, antigos valores culturais que definiram por séculos o que era “ser homem” e o que era “ser mulher” caíram por terra. Nenhuma mulher é hoje menos feminina se trabalha e sustenta a casa e nenhum homem menos masculino se ajuda nas tarefas domésticas e cuida dos filhos. As funções definidas pela cultura como exclusivamente femininas ou masculinas hoje são amplamente questionadas. Homens e mulheres dividem tarefas. São companheiros. Relacionamento hoje é sinônimo de “parceria”.

Para que se possa viver mais plenamente há que se ter foco e clareza de objetivos. Traçar metas, fazer planos, estabelecer prioridades no tempo e espaço, trabalhar dentro dos limites do possível. Respirar, pontuar, relaxar.

Para que se possa ser produtivo e feliz há que se rever valores e ideais. Redescobrir-se. Incluir na agenda a própria vida, ter mais de si mesmo nas pequenas tarefas cotidianas.

Relaxar significa resgatar. Uma vida humanizada e criativa. Saúde física e mental. Qualidade de vida. Mas para que isso ocorra há que se perder o medo de perder, para que se possa ganhar mais para a frente.

Casar ou não casar, eis a questão

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Foi-se o tempo em que estar solteira significava ser volúvel, rejeitada, ou simplesmente “encalhada”. Hoje em dia felizmente as mulheres não precisam mais se sentir pressionadas a casar e ter filhos. Há 50 anos atrás quem não se casasse era mal-visto ou “tinha algum problema”: “solteirona” era o termo pejorativo usado para definir a mulher que chegasse aos 30 sem se casar. Já um homem solteirão tinha um pouco mais de status, era um “bon vivant”, sinônimo do cara que aproveitava a vida.

Hoje mulheres solteiras ou separadas também aproveitam a vida, como só os homens podiam no passado. E curtem sua independência e autonomia. São donas do próprio nariz, moram sozinhas, viajam, saem com os amigos. E muitas têm relacionamentos amorosos estáveis e felizes.

Ultimamente têm aumentado muito o número de homens e mulheres que optam pela solteirice como um estilo de vida. Para eles a liberdade, o trabalho, os estudos ou outros interesses são mais importantes do que um casamento.

Para alguns a solteirice pode ser uma fase. Para outros, uma opção. Para outros ainda, uma falta de opção: pessoas que desejaram mas não encontraram alguém compatível (foram exigentes demais?), pessoas imaturas emocionalmente ou que sofreram fortes decepções amorosas.

Nada é perfeito, qualquer escolha tem suas vantagens e desvantagens. Embora a solteirice represente maior liberdade e ausência dos problemas cotidianos do casamento (que podem desgastar a relação), corre-se o risco de se fechar em si mesmo, deixando de experimentar a vida a dois que pode ser uma experiência enriquecedora quando existe amor, amizade, pontos de identificação e objetivos em comum.

Mas ao contrário do que diz a música, não é impossível ser feliz sozinho. Solteirice e solidão são duas coisas muito diferentes. A pessoa pode ser solteira e feliz e casada e infeliz. Solteiros por opção não têm relacionamentos para preencher algo e sim para acrescentar algo.

Aliás, amor e comprometimento não tem necessariamente a ver com casamento. Já faz tempo que o amor deixou de ser visto como algo obrigatoriamente registrado em cartório. E aliás, ainda não apareceu nenhum estudo científico que comprove que a coabitação influencie positivamente a intensidade do amor.

Estar, ficar ou ser solteir(o)a são conceitos muito diferentes. Tem a solteirice de quem nunca casou, de quem não quer casar e de quem já casou, separou e não quer repetir a experiência. Hoje não existem regras rígidas: quem quer casar casa, quem não quer não casa. Depende do desejo de cada um, de seu momento de vida ou das características de cada relacionamento.

Como diz a terapeuta de casais Lidia Aratangy “… o grande avanço no casamento é que há várias formas de viver a dois nos dias atuais. Morar junto ou em casas separadas? Casar no papel ou informalmente? São diversas as configurações que já ouvi. Não adianta se espelhar no modelo antigo ou olhar para o casamento ao lado. Cada um deve achar sua fórmula e ser feliz”.∗

Revista Cláudia Julho 2011: “E daí se eu não casar?

As mudanças na economia e suas conseqüências no mundo do trabalho

design-desk-display-313690Homens e mulheres estressados ou à beira de um ataque de nervos

A globalização provocou mudanças profundas na economia. Os efeitos dessas mudanças se fizeram sentir nas empresas e na vida das pessoas. Ondas de demissões levaram os funcionários remanescentes ao enfrentamento de uma verdadeira maratona de trabalho, quando assumiram, mesmo a contragosto, urna sobrecarga para compensar os demitidos. Temendo o desemprego, esses trabalhadores, muitas vezes insatisfeitos e estressados, agarraram se

Em contrapartida e felizmente hoje já existe uma forte tendência e até mesmo movimentos concretos em direção a novos modelos de gestão organizacional, visando à humanização. Num futuro não muito distante, a empresa que só se preocupar com os lucros e não tiver “responsabilidade social” estará fadada ao fracasso (preocupação com o meio ambiente, com as comunidades e com os clientes internos).

Sabemos que o modelo atual não tem sustentabilidade no longo prazo. Humanização das relações de trabalho, metas de produção, horários flexíveis, maior participação de todos nas decisões e resultados, são sonhos que já estão se tornando realidade em muitas empresas.

No entanto, esse processo não é geral e sabemos, as mudanças ocorrem de forma gradual. Mas, se isto é fato e se temos que conviver com ele, como fazer para minimizar o stress e a possível insatisfação? O que fazer quando não se vê no curto prazo uma saída possível? Como agir quando o trabalho já tomou conta de sua vida?

É preciso desenvolver algumas estratégias de defesa, a fim de reequilibrar os vários aspectos que compõem uma vida saudável: profissional, familiar, afetivo-sexual, social, lazer, exercícios físicos, cuidados com a saúde.

Algumas dicas importantes:

  1. Em primeiro lugar, não se faça de vítima. Reaja. Não use o excesso de trabalho para chamar a atenção das pessoas ou para provocar pena, que é apenas um sub-produto do amor. Com certeza, você merece mais.
  2. Não perca, em hipótese alguma, o contato consigo mesmo. Não se torne um robô programado para fazer tarefas. Quando as solicitações profissionais forem muitas e você entrar num ritmo alucinado, todo cuidado é pouco para não se “esvaziar” de si mesmo. Não se ausente. Permaneça aí, presente no seu próprio corpo, mesmo quando as pressões forem muitas. Sintonize-se com o seu desejo. Permita-se sentir o que sente, coloque-se, marque sempre sua posição. Caso contrário você corre o risco de se esquecer de si mesmo, de quem é, e acabar perdendo o contato com os seus próprios sentimentos.
  3. Faça as coisas com calma, pensando no que está fazendo, aproveitando a experiência, e sobretudo tentando resgatar, se possível e urgentemente, o prazer.
  4. Não deixe que o cansaço físico e emocional tomem conta de você. Você pode estar caminhando para o stress, ou, em alguns casos mais graves, para a síndrome do burn-out, mas isto sinalizará que você já ultrapassou os limites.
  5. Mostre seu empenho e interesse, porém diga sempre e claramente o que é possível fazer e o que não é. Colocar limites (primeiro para você mesmo e depois para o outro!!!) é imprescindível, se você quiser manter um bom relacionamento com seus superiores e colegas (e com você mesmo!!!). Sua auto-estima vai agradecer.
  6. Organize-se, seja objetivo e estabeleça prioridades dentro do tempo que você dispõe. E faça o melhor que puder. Dentro deste tempo. Depois vá embora. Para casa, para a academia. Tomar um banho relaxante, assistir a um bom filme, namorar. Porque você não pretende dormir no escritório, pretende?

Alma de homem, doçura de pai

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Só quem tem a coragem de reconhecer suas limitações consegue amar incondicionalmente o filho e ajudá-lo a tomar as rédeas de sua vida.

Todos se lembram daquela propaganda na qual um menino jogava futebol enquanto o pai torcia na arquibancada. No final, o locutor dizia: “Não basta ser pai, tem que participar!” Pais casados, divorciados, viúvos, pais em segundo casamento, poderiam se perguntar, honesta e corajosamente: “Tudo bem, mas como é que se faz?”

A maior parte simplesmente não sabe a resposta, pois cresceu orientada pelos padrões de uma educação preconceituosa e repressora, que incutia em meninos e meninas ideias como “homem não chora”, “emoção é coisa de mulher” e outras barbaridades.

Ser pai convoca afetividade de um homem para que possa cuidar de seu filho não só física, mas emocionalmente. Seu maior alicerce e, posteriormente, modelo de identificação. Num primeiro momento, o pai tem a função de separar a criança da mãe, mostrando-lhe que existe um imenso mundo para além dessa relação. Ao mesmo tempo em que proíbe e frustra, o pai possibilita a entrada da criança na linguagem e na cultura.

Infelizmente, alguns filhos ainda vem ao mundo com a missão de realizar os sonhos dos pais, tornando-se os depositários de seus ideais. Por isso, é importante que um pai se conheça e aceite suas possibilidades e limitações. Só assim ele poderá amar seu filho incondicionalmente, pelo que ele é não pelo que gostaria que fosse.

Mas alguns homens teimam em sustentar uma imagem idealizada de si mesmos. Super-Homem é pouco. Pagam por essa exigência uma conta altíssima: enfartes, úlceras, depressões. Ultrapassam seus limites, transbordam. E exigem o mesmo dos filhos.

Uma criança precisa saber que existem muitas possibilidades para ela, mas nem tudo é possível. O pai, por seu lado, deve incentivar o filho a viver sua própria vida, sustentando seu próprio desejo, por sua conta e risco. No entanto, de nada adianta apenas falar, se o que se faz é completamente diferente. Aqui, o exemplo é extremamente valioso.

Na adolescência serão necessários alguns ingredientes fundamentais: limites bem claros e definidos, apoio, paciência e, sobretudo, amor, para que o jovem se sinta seguro. O pai bem resolvido conversa com o filho, troca ideias e tem coragem de dizer que não possui todas as respostas.

Hoje existem muitos homens que podem olhar para dentro. Tem coragem de se expor, de abrir espaços internos, de acolher, de se virar do avesso, se for preciso. Isso lhes permite gerir um processo dinâmico e vivo no exercício da função paterna. É uma construção cotidiana. São homens de carne e osso. E alma.